Critica: Hacksaw Ridge

Mel Gibson volta com seu novo longa baseado na história real de Desmond Doss um opositor consciente que se tornou herói de guerra.

Mel Gibson é muito conhecido por dirigir filmes que mostram como o diretor é devoto a sua religião, explorando drasticamente a jornada de cristo em A Paixão De Cristo (2004) o diretor ficou conhecido pelo aspecto devoto e visceral, e esses elementos são constantemente vistos em seus filmes, em Hacksaw Ridge o diretor consegue mesclar ambas as coisas e nos apresenta um filme claustrofóbico e heroico, na trama Desmond Doss (Andrew Garfield) é um jovem que decide servir a guerra mesmo se recusando a não tocar em armas devido ao seu histórico de problemas familiares, Gibson explora bem e de forma séria a recusa de seu protagonista a não usar nenhum tipo de arma, nas mãos erradas esse elemento poderia ser tratado com descaso e se tornar algo menos emocionante do que apresentado. O diretor apresenta todos os elementos necessários por filme, a infância de Desmond, na qual o protagonista teve contato com a violência por tanto isso o abalou profundamente, sua adolescência na qual ao conhecer os poderes de uma arma decide não tocar em uma outra vez e sua vida atual, na qual o personagem sai de sua zona de conforto, tudo é feito de maneira calma e não santifica o personagem, Gibson mostra a preocupação do batalhão por Desmond não se envolver com armas e tudo isso sem vilanizar nenhum dos lados.

Após todo o conflito pelo qual o personagem passa, somos finalmente colocados em campo de batalha na qual Desmond se tornou médico do exército americano, e após um momento de tensão muito bem construído Gibson nos presenteia com uma batalha extremamente violenta e realista, o diretor usa planos fechados para emergir o espectador ao mundo horrendo na qual os personagens estão passando e o espectador se sente imerso e sente toda a agonia, peso e responsabilidade que é estar defendendo seu país, o diretor também usa planos extremamente abertos para mostrar a amplitude da batalha e assim fazer você temer pelos personagens no qual você já se afeiçoou. A história pode ser interpretada de dois um pontos, o primeiro é a celebração do pacifismo, o personagem de Andrew Garfield nunca pega uma arma e mesmo assim é um dos personagens mais ativos, para pessoas que ficam tão imersas na ação esse elemento pode se passar despercebido porém Gibson deixa isso muito explicito em cena de uma forma que não chega a ser sermônica. Já o outro lado mostra o quão importante é a fé de um homem para que o mesmo possa chegar em seu objetivo Desmond sempre está pedindo ajuda a Deus para conseguir resgatar todos os homens feridos do campo de batalha e Gibson deixa isso explicitamente colocado em tela, mas nada disso teria funcionado com tal sutileza sem a atuação extraordinária de Andrew Garfield, o ator dá tudo de si aqui e entrega a devoção que seu personagem tem por sua crença e ideologia, e mesmo tendo umas falas pontualmente mau colocadas o ator consegue lidar com elas com elegância e desespero. Em termos técnicos tudo é perfeito principalmente a mixagem de som, os sons de balas e bombas são tão reais a ponto de nos assustarmos quando inesperadamente os soldados começam a atirar ou jogar granadas e afins, a trilha sonora também contribui para a crescente da trama e merece no minimo uma indicação a melhor trilha original.

O roteiro do filme não pode ser considerado perfeito, pois em alguns momentos se mostra covarde ao resolver os problemas que o mesmo jogou na trama em bom exemplo é quando um personagem precisa resolver uma situação séria o roteiro simplesmente acha um jeito que é explorado de forma preguiçosa e resolve o problema para poder partir para outro ato. Outro momento que poderia ter deixado o mesmo muito mais conciso seria colocar no minimo uma cena na qual Desmond ficasse em duvida com sua crença, o roteiro nos apresenta que o personagem não usa armas e explora isso a cada 5 minutos, porém quando você precisa mostrar a consequência desses atos ela simplesmente não existe, e isso não é um problema de direção pois Mel Gibson tenta mostrar isso disfarçadamente mas o roteiro não colabora com a visão do diretor já que o mesmo não escreveu seu roteiro.

Hacksaw Ridge é um filme claustrofóbico, corajoso e esteticamente perfeito embasado por um roteiro preguiçoso e mesmo com todos esses problemas consegue se sair muito acima dá média devido a uma excelente direção.

Nota: 9.5
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