Crítica: Hell Or High Water

Filme explora a vingança e invoca os novos clássicos do cinema.

 

Na trama Toby Howard (Chris Pine) e seu irmão Tanner Howard (Ben Foster) começam a assaltar bancos para pagar aos mesmos uma divida que foi deixada por seus pais eis que ambos são perseguidos por dois Texas Rangers Marcus Hamilton (Jeff Bridges) e Alberto Parker (Gil Birmingham). A direção de David Mackenzie invoca filmes como Easy Rider(1969), No Country For Old Men (2007) e There Will Be Blood (2007) o diretor presta uma série de homenagens nunca parecendo uma cópia, ele começa nos apresentando os personagens sem muita enrolação, na primeira cena já somos apresentados aos irmãos Howard assaltando a um banco e quando o diretor decide explorar o lado humano de seus personagens, ele faz isso com calma e dá o tempo para que seus personagens coloquem todas suas emoções e angústias para fora e o espectador se conecta com esses personagens de uma forma em que entendemos e apoiamos suas motivações para realizar seus assaltos, junto com a grande filosofia de roubar um banco para pagar um banco, o diretor brinca com esse aspecto algo que faz os irmãos não se tornarem vilões e sim vitimas. Mackenzie também mostra que tem muito controle de sua direção, o filme começa com um plano sequência na qual o diretor apresenta seus personagens e logo após o mesmo usa esse recurso para filmar em 360° graus e segue com a câmera até a ação do filme, o diretor também usa bastante Takes médios para simbolizar os sentimentos de seus personagens.  A trilha sonora de Nick Cave & Warren Ellis invoca grandes nomes da Música Country e Folk como Johnny Cash e Bob Dylan, as músicas empolgam o espectador e dão um aspecto de grandeza para seus personagens ela também energiza suaviza os momentos mais impactantes da trama. A fotografia é linda e simula de forma eficiente o estado do Texas já que o mesmo não foi filmado no Texas, o diretor opta por deixar suas câmeras paradas então temos a impressão de realmente estarmos imersos naquela cidade nunca parecendo uma produção Hollywoodiana.

 

Aqui o elenco se mostra comprometido, Chris Pine entra de cabeça em seu personagem e interpreta com perfeição um homem que perdeu tudo e ainda sonha em reconstruir sua vida o personagem também é o irmão mais novo e mais consciente da dupla e o ator passa isso apenas com o olhar do personagem que não tem muitos diálogos, Ben Foster desaparece em seu personagem e entrega a melhor atuação de sua carreira o personagem é maniaco e descontrolado, sempre colocando seu irmão em risco porém sabemos pelos três jeitos do personagem que ele faz de tudo pelo amor que tem por seu irmão, Jeff Bridges que vinha fazendo papéis não tão bons está de volta aqui, o ator entrega uma atuação absurdamente acima da média e mesmo não tendo muitos diálogos cria um personagem esperto e divertido sem nunca parecer um homem que deseja se sobre por sobre seus inimigos, Bridges tem a entonação, a postura e os três jeitos de um Texas Ranger no fim de carreira que só quer a justiça e tenta entender porque o mundo é um lugar tão bagunçado.

 

O filme tropeça em seu ritmo em alguns momentos o diretor estende demais as cenas e elas acabam se tornando massantes, o diretor também explica demais as emoções de seus personagens tratando seu espectador como alguém que não está prestando atenção na trama, o diretor explica a motivação de seus personagens nos primeiros 30 minutos de seu longa, e ao decorrer da trama lembra seu espectador dessa motivação de 10 em 10 minutos, o diretor também demora muito tempo para explicar as questões técnicas de seus personagens, como eles se programa, como eles compram seus artefatos e tudo mais, mesmo mostrando tudo isso de forma rápida algumas questões ficam em aberto e são incoerentes com outros pontos da trama, mas o diretor compensa certas frustrações quando decide resolver sua trama e entregar um final épico e comovente para todos seus personagens.

Nota: 8.4
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