Crítica: Mulher Maravilha

Com Geoff Gohns no comando criativo, a DC finalmente encontra o rumo necessário para o sucesso nas telas.

A história da Mulher Maravilha, talvez seja uma das mais difíceis de se passar para as telas do cinema nos dias atuais, com uma origem machista e um tanto quanto perturbada, a DC tinha dois enormes desafios em suas mãos, o primeiro, fazer um filme sobre uma heroína forte e poderosa, sem cair no clichê sexual, o segundo, tirar todo o ódio que os fãs carregavam da produtora devido aos últimos filmes, Batman V Superman e Esquadrão Suicida, felizmente com a ajuda da diretora Patty Jenkins, Mulher Maravilha foi concebido como um filme alegre, com tons nostálgicos e que trilha um rumo positivo para a produtora brilhar nos cinemas.

A Direção aqui é calma, primeiramente somos introduzidos a toda mitologia que envolve a princesa Diana (Gal Gadot), através de histórias, porém, todas contadas de forma sensacional, como se um de nossos pais ou avós estivessem nos contando aquela história aconchegante. Themyscira (a terra de origem da personagem) é retratada com perfeição, em todas as cenas que estamos no ambiente, nos sentimos confortáveis e seguros, todo empoderamento dado para as Deusas Amazonas transborda das telas, todas mostram um senso de poder enorme, porém nunca perdendo seu elemento feminino. O primeiro ato, focado na introdução da personagem, na qual envolve todo seu treinamento, e seu primeiro contato com um homem da terra, é perfeitamente bem executado aqui, a introdução de Steve Trevor (Chris Pine) é sútil, sem muitos exageros, o personagem cai em uma terra desconhecida, e com a mesma curiosidade do espectador começa a explorar aquele novo mundo. Já o segundo ato tem a mesma estrutura, porém, é Diana quem está conhecendo o mundo dos homens, e cada cena bem humorada da personagem dá ao espectador a sensação de infância, aquela mesma na qual você tem até hoje, de ir para um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas, e ter aquele medo de que todos estão olhando para você, a diferença aqui, é que Diana não vem parar em uma boa época de nossa história, e sim no meio da primeira guerra mundial.

Uma das coisas mais interessantes da personagem, é que diferente de muitos dos personagens, já apresentados no universo DC, Diana tem muito o que aprender, ela não é simplesmente uma heroína formada, ela tem suas falhas, e tenta as corrigir o mais rápido possível, Diana é uma deusa com uma alma pura e com um certo senso de inocência, e isso é um problema no cinema atual se baseando no caso de Rey (Star Wars) na qual a personagem simplesmente é intocável, felizmente, Diana não cai nesse clichê. Jenkins aqui, separa pequenas cenas para construir a relação de Diana com Trevor, os pequenos momentos na construção de personagem são fundamentais aqui, e funcionam de um jeito que o espectador fica tocado em especificas cenas. Outro ponto positivo para a direção de Jenkins é o fato de Mulher Maravilha ser um filme feminista, mas calma o feminismo aqui é real, se você é homem e vai assistir esse filme, prepare-se para ter uma das melhores experiencias com o tema. Diana não protege Pine por ele ser um humano fraco, e sim por sua índole como heroína, não existe aquele discurso de ódio contra homens, tudo aqui é muito equilibrado e significativo para o próprio público.

As cenas de ação aqui são sensacionais, com a ajuda de Zack Snyder, Jenkins trás o estilo próprio para a personagem, toda a malemolência de Diana para as cenas de ação são de tirar o folego, a personagem aguenta bons socos, e ao mesmo tempo os distribui com elegância. Toda construção visual foge do sombrio e realístico de Batman V Superman, e em certo ponto temos até a impressão de que se Diana quiser sair na mão com o Homem de Aço o mesmo não vá aguentar o poder da heroína. A Primeira em Themyscira é de tirar o folego com toda a presença de Robin Wright, a segunda focada no forte da guerra é a melhor do filme, aqui vemos todo o poder de Diana e como a personagem evoluiu seu modo de combate, já a terceira cai no padrão CGI hollywoodiano, um pouco exagerado, porém não tanto quando a luta contra o Apocalypse em Batman V Superman. Outro problema aqui talvez seja a construção do vilão, Ades é o deus da guerra, e merecia ser um pouco melhor trabalhado, mas o foco aqui é a Mulher Maravilha, e nisso o filme não erra.

Mulher Maravilha é um filme que aborda um tema sério e que precisa ser discutido cada vez mais em nossa sociedade, o Feminismo, felizmente o filme aborda isso de forma magistral, e coloca Mulher Maravilha como um dos melhores filmes do universo DC, sendo assim podemos criar uma enorme expectativa para Liga Da Justiça.

Nota: 8,5

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