Crítica: Bojack Horseman – 4° Temporada

Nova temporada explora o passado e aprofunda ainda mais seus protagonistas.

 

Antes das animações com temas mais profundos se tornaram uma espécie de moda em Hollywood, Bojack Horseman era a promessa que a Netflix tinha para agradar seu público fiel, com o estrondoso sucesso da primeira temporada a série se tornou um fenômeno instantâneo, a série que abordava temas como, aborto, casamento, depressão, e a profundidade dos relacionamentos agradou por seu sub-texto que dialoga com todo tipo de público, em sua 4° temporada todos os temas são mais explorados, e mostram que com paciência e devoção que até o entretenimento mais Blockbuster pode ter uma profundidade significante.

 

[Spoilers do 4° ano abaixo] 

 

 

Após um ano desaparecido, Bojack Horseman (Will Arnett) retorna para “Holywoo” para enfrentar os fantasmas de seu passado conturbado, como a morte de Sarah Lynn (Kristen Schaal) seu vício em drogas, e uma nova relação que pode mudar o rumo de sua vida. A temporada começa e se envolve em um dos assuntos mais presentes na América, a política, diferente de outras animações como South Park, Os Simpsons, e Rick And Morty, a série toca no assunto de uma forma menos explicita, porém muito dos conceitos debatidos tiram sarro do atual presidente Donald Trump. Agora MR. Peanutbutter (Paul F. Tompkins) é aspirante a Governador da Califórnia e defende os conceitos mais tradicionais, enquanto sua esposa Diane (Alison Brie) defende o Feminismo, o embate entre o casal é interessante, e cumpre seu papel em representar os dois lados da sociedade moderna.

 

A série escrita e criada por Raphael Bob-Waksberg, sempre justificou os problemas psicológicos de seu protagonista devido a sua infância e família, e aqui o roteirista se aprofunda e mostra um enorme evolvimento com sua história e personagens, no décimo primeiro episódio temos uma aula de roteiro, que mostra o passado da mãe de Bojack, Beatrice Horseman (Wendie Malick) o episódio em si consegue roubar o brilho de seu protagonista e aprofundar o espectador na mitologia da série, que muitas vezes foge do humor, e junto com uma animação que foge dos padrões e serve de função a história, encanta de jeito magnifico e emocionante. Outro núcleo muito bem explorado é o da Princesa Caroline (Amy Sedaris) aqui a personagem com problemas férteis tenta ser mãe, e bate na tecla familiar, de forma emocionante, o humor aqui é usado para quebrar os pesados debates em que série se envolve, e diferente de suas temporadas anteriores, ele não está envolto de diálogos gratuitos, e sim inteligentes. Talvez um dos pequenos problemas da temporada seja o fato de que Todd Chavez (Aaron Paul) seja o personagem que mais ganhou destaque nas temporadas anteriores, e aqui o mesmo parece ter perdido muito do protagonismo que tinha ganho, resumindo sua aparição em 4 ou 5 episódios.

 

O trabalho de arte aqui está muito mais empenhado que em suas temporadas anteriores, porém deixa a desejar em certos pontos, entretanto, o trabalho de dublagem agrada aos ouvidos, e todo o elenco que já está familiarizado com seus personagens, dão uma alma única para seus personagens, o destaque como sempre é Will Arnett, o ator que começou a se envolver com o projeto como produtor, mostra uma grande devoção a seu protagonista, e instantaneamente passa toda emoção necessária para seu personagem, Bojack é um personagem deprimido, viciado, e a entonação de Arnnet deixa isso muito transparente para seus espectadores.

 

A quarta temporada da série sem sombra de dúvidas é o melhor trabalho com os personagens e uma temporadas mais profundas que a série já teve até agora, e diferente das temporadas anteriores, o quarto ano de Bojack Horseman termina de forma agridoce, o que indica que a série pode estar chegando ao seu fim, só nos resta esperar o que a Netflix, e os roteiristas da série irão decidir para o futuro do show, a série deixa todos os ganchos possíveis para que a quinta temporada encerre o arco de seus personagens em seu auge, só nos resta torcer e aguardar os novos dias do cavalo mais problemático da Televisão.

 

Nota: 9.5

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