Crítica Blade Runner (1982)

Imersão, Reflexão e Produção andam de mãos dadas. e em função de um ótimo roteiro criam um dos maiores clássicos dos anos 80.

Dirigido por Ridley Scott, Blade Runner é uma daquelas obras que de início não recebem nenhum apoio do público ou da crítica, porém, com o passar dos anos, a cabeça dos espectadores vão mudando junto com a 7° arte, e grandes filmes como 2001, Psicose, Taxí Driver… entre outros, começam a ser reconhecidos, já que seus criadores tem pensamentos anos luz a frente do grande público casual que na maioria das vezes não quer ser instigado, desafiado, e se ofende por uma obra não entregar tudo de bandeja.  O Clássico Blade Runner de 1982, foi concebido pelo aclamado Ridley Scott, diretor de um dos maiores suspenses dos anos 70 e da cultura pop, Alien, reconhecido por um trabalho excepcional, Blade Runner foi a carta branca que o diretor tinha com o estúdio, 28 milhões foram dados nas mãos do diretor, e a construção de um universo magnifico começou a ser criado nas telas do cinema.

Na trama, um Blade Runner (caçador de androides) chamado Deckard (Harrison Ford) é convocado para aposentar 6 Replicantes que fugiram de uma colônia espacial e se infiltraram na terra com o objetivo de adquirir mais tempo de vida de seus criadores. Com a trama estabelecida, o Jovem Ridley Scott começou uma interminável luta contra o estúdio que acreditava que o filme seria um fracasso, já que o tema era considerado na época “uma maluquice sem pé nem cabeça”, porém o estúdio decidiu vender Blade Runner como um filme de ação, e não como um Sci-Fi Noir de Investigação, o que causou uma enorme confusão na época.

Ridley Scott afinal de contas era o diretor ideal para o projeto, com graça e paixão, o diretor conseguiu criar uma cidade imersiva, na qual a esperança era inexistente, a super população dominava as ruas da terra, e só as pessoas com um nível de importância baixíssimo continuavam nesse planeta acabado para sofrem por terem o destruído. A construção de mundo é impressionante, Ridley Scott cria uma terra suja, indecente, com uma carga negativa alta, e com cada movimento de câmera, entramos naquela cidade, e desde um simples frame dos prédios explodindo gás aos céus já sentimos uma culpa, uma culpa por estarmos destruindo nossa terra, o filme talvez tenha um dos trabalhos distópicos mais bem feitos da história do cinema. Os efeitos especiais feitos a mão são de impressionar, desde os carros voadores, aos guarda-chuvas brilhantes, nossos olhos são preenchidos por um espetáculo visual sem fim, a produção do filme anda de mãos dadas com  a visão do diretor, e ao todo, entrega uma obra perfeita.

Aqui, um dos elementos mais bem trabalhados na história do cinema é a trilha sonora de Vangelis! Toda a composição do músico é uma ferramenta importante para a narrativa da história, já que de forma magestral, ela insere o espectador emocionalmente dentro daquela realidade, e a cada canção a melancolia vai se instalando, e quando menos percebemos, a música é um dos elementos que mais nos marcam, uma cena sem a trilha de Vangelis é tensa, claustrofóbica, já que no fim das contas, seremos surpreendidos por um mundo sem esperança, sem cores, e sem um tema de fundo para nos acalmar e nos fazer aceitar aquele mundo com uma trilha calma para nos distrair.

A discussão aqui é: O que nos torna Seres Humanos? o apreço pela vida? Nosso corpo preenchido por carne e sangue? ou talvez nossa capacidade de sentir as coisas, e o diretor com maestria, explora isso da melhor forma com a personagem de Sean Young (Reachel), uma replicante, que aos poucos, vai descobrindo o valor de um sentimento, a atriz carrega a melancolia no olhar, o medo da morte, o apreço por mais um momento naquela terra devastada, em que qualquer um na primeira carga de coragem se suicidaria para não passar mais um dia naquele sofrimento, desistiria da vida, o trabalho de criação de personagem da atriz é de impressionar e merece ser enaltecido. Harrison Ford, que interpreta Deckard, reflete todo o espelho da sociedade, o personagem não tem um apreço por sua vida, sua única vontade é ficar sozinho, e passar o resto de seus dias bebendo, Deckard não tem felicidades internas nem externas, o que o torna um personagem cativante, misterioso, e em certos momentos destemido ao extremo, Roy (Hudge Howard) o líder dos replicantes de início pode ser considerado por muitos um vilão, porém, assim como Reachel, seu único objetivo é viver, o personagem faz de tudo para ter seus irmãos ao seu lado por mais um dia, independente de quem precise machucar para alcançar seus objetivos, com o ótimo trabalho do ator, entendemos e nos importamos com a motivação de seu personagem, e em certo momentos, nos fazendo a real pergunta, quem realmente é o vilão dessa história? Magnificamente o personagem também trás uma das frases mais marcantes de todos os tempos, e que com o envolvimento emocional perfeitamente criado nos faz derramar lágrimas espontaneamente.

 Blade Runner é um filme com Muitas Camadas, e que rende debates intermináveis, a Obra de Ridley Scott veio a influenciar toda uma nova geração de diretores e amantes do cinema ao todo, o filme é um marco para o cinema, um marco para a cultura pop, e um marco para a música, e merece toda a nossa atenção, para que no futuro, tenhamos um padrão de qualidade e paixão tão grande e perfeitos por nossas obras de arte.

Nota: 10

Crítica Por: Danilo Bertozzo

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