Crítica: Liga Da Justiça.

Snyder e Wheadon criam filme divertido, ambíguo e esteticamente perfeito.

Após o polêmico Batman V Superman, a DC comics recebeu uma enxurrada de críticas a respeito de suas obras, aparentemente, a grande parte dos fãs queriam filmes mais otimistas, coloridos, engraçados, e menos densos como BVS. Eis que, após muita reclamação, chega Geoff Johns, o Kevin Feige da DC, o comando do DCEU ficou em suas mãos, e ele prometeu a todos os fãs filmes esperançosos, divertidos, e que agradasse a todos, obrigado por manter sua promessa Geoff!

Liga da justiça começa com uma montagem dramática, que arrepia até os que mais odeiam a editora, a montagem aqui é precisa, somos introduzidos a todos os personagens e seus universos, já que não tivemos filmes solos, um dos maiores medos dos fãs era que assim como Batman V Superman, Liga da Justiça fosse um filme inflado, cheio de sub-tramas que tirasse o espectador da história que estava sendo cortada, felizmente isso não se repete aqui, com a mudança de rumo que Joss Wheadon deu para o filme, muito do estilo De Zack Snyder foi cortado, e isso fica muito evidente, conseguimos identificar tudo que é feito pelo diretor inicial, e as cenas feitas por Wheadon, isso incomoda, mas não se torna um mal irreversível já que qualquer problema que o filme tenha, pode facilmente ser ofuscado, pelo grande acerto de seus personagens. Cenas e diálogos longos foram retirarados, e o espaço para interação e conexão com seus protagonistas foi posta em seu lugar. O dia a dia dos personagens são interessantes, e talvez o caminho inverso que a produtora tenha tomado não seja tão arriscado quanto muitos pensavam, aqui, temos vontade de conhecer e passar mais tempo com aqueles personagens, nossa curiosidade é atiçada, e com o ótimo trabalho que os mesmos receberam, eventualmente vamos querer voltar para seus universos particulares.

O roteiro não entrega um grande arco, mas entrega uma história em quadrinhos, a aventura dos heróis é a trama central, sem politicagem, drama ou um peso catastrófico, um vilão (Steppenwolf) decide dominar o mundo, e assim vai atrás das Caixas Maternas, ao saber disso, a Liga da Justiça precisa se unir e derrotar o vilão. Felizmente, temos uma liga de Super- Heróis, e diferente de Homem de Aço (2013) e Batman V Superman (2016) temos muito mais tempo com heróis, e sentimos a mesma sensação de uma criança, que só quer ver seus heróis favoritos sendo heróis. O mais importante em uma adaptação não é sua fidelidade, e sim seu espírito, aqui, toda essência dos Super-Heróis da DC Comics está presente, temos um Batman (Ben Affleck) justiceiro, mestre nas artes marciais, e que prova ser o maior detetive do mundo, mesmo com suas piadas inadequadas. Uma Mulher Maravilha (Gal Gadot) que conquistou o público com seu jeito guerreiro e determinado. Um Flash piadista, e graças ao ótimo timing cômico de Ezra Miller, o personagem rouba a cena no filme. O Aquaman (Jason Momoa) é badass, e intimida qualquer um que esteja em seu caminho, além de protagonizar as melhores cenas de ação. Um Ciborgue (Rey Fisher) sério, porém que protagoniza ótimos momentos dramáticos, e por fim, O Superman, mas não o mesmo apresentado em Homem de Aço ou BvS, o Superman que conhecemos, aqui, é o Superman clássico, e Henry Cavill encontra o tom certo para seu personagen, e finalmente nos conectamos com o maior Super-Herói já criado de todos os tempos, temos um Superman que representa a esperança, e sua ausência no filme foi um dos maiores acertos do roteiro, já que sua ausência cria uma áurea poderosa, que permeia o filme e seus personagens, realmente é estranho, ver uma Liga da Justiça sem um Superman, mas quando o personagem retorna, não há pessoa no ambiente que não se arrepie. A química entre o grupo é incrível, e em muitos momentos nos pegamos empolgados, rindo e felizes por finalmente ver todos os heróis de nossas infância no cinema, lutando lado a lado.

O Tom do filme é leve, gostoso, e ainda tem a pegada sombria e realista, mas isso reflete em seus personagens, o filme não se leva a sério igual Batman V Superman, que não se divertia. Era um filme tão inflado, e auto seguro, que ignorou todos os problemas mais evidentes. Já aqui, o tom leve e descompromissado nos da sensação de estar lendo uma aventura mensal da super equipe, e em certo ponto, nos remetem aos filmes da concorrente, Marvel Studios, que achou a fórmula perfeita de conquistar os 4 quadrantes, Homens, Mulheres, Idosos e Crianças, se a DC comics ainda não atingiu esse público, Liga da Justiça é o filme que vai colocar ambas editoras em uma briga pela atenção do público ja que ambas têm a mesma capacidade, e provavelmente a mesma admiração depois de Liga da Justiça.

O vilão Stephenwolf é um dos problemas do filme, criado totalmente por um CGI pesado, o vilão se torna algo esquecível, um simples boneco de borracha com voz grossa e frases prontas, o que incomoda muito já que uma das maiores super equipes de Super-Herois, merecia um desafio à altura, mas a presença dos parademonios na trama supre essa necessidade, e com esse elemento a equipe protagonista cenas de ação em grupo que deixam qualquer fã babando de felicidade.

A Trilha de sonora de Danny Elfman, trás a esperança que a equipe precisa para seu público, é esperançosa, graciosa, épica, e entende seus personagens. Adicionando temas clássicos como o tema do filme Batman (1989) composto pelo próprio Danny Elfman, e trazendo uma nova versão da música clássica de Superman de (1978) composta por John Williams, a artmosfera é primordial e mostra um cuidado nunca mostrado com esses personagens nos últimos 5 anos.

O CGI ultilizado no filme funciona em 80% do filme, porém falha miseravelmente em cenas mais simples, como o Bigode virtualmente retirado de Henry Cavil, que trás um queixo falso, e incômodo, ou até mesmo o o visual pesado do Cyborg, que incomoda, já que muitas das vezes não entendemos a mecânica do personagem, mas nenhum CGI é tão falso e mal feito como o boneco digital de Steppenwolf, que mesmo tendo um visual interessante, não convence e infelizmente se torna um vilão esquecível com um plano esquecível.

Liga da Justiça não é o melhor filme de super-heróis, mas com um pouco de confiança e liberdade criativa, a DC começará a tomar o grande púbico e a concorrência com líder atual (Marvel), vai ser uma das coisas mais empolgantes dessa nova era do cinema.

Nota:8.0

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5 comentários sobre “Crítica: Liga Da Justiça.

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