Crítica: Star Wars EP 4: Uma Nova Esperança

 

Primeiro EP da trilogia clássica de George Lucas inova e brinca com o espectador.

 

 

  Em 1977 George Lucas era um diretor independente, que decidiu ir para o caminho mais difícil, vender os direitos de um filme na qual nenhum estúdio dava atenção devido a saturação do gênero na época, em troca George Lucas pediu para o estúdio o licenciamento da imagem de seus personagens pois acreditava que o filme seria um sucesso e os fãs gostariam de ter os personagens em suas casas, o estúdio botando pouca fé em George Lucas, concedeu o pedido do diretor. Em 25 de Maio de 1977 chegava aos cinemas Star Wars, o filme que estreou apenas em 32 cinemas americanos, Star Wars conseguiu quebrar um recorde em seu primeiro final de semana, os donos do cinema começaram a perceber aglomerações estranhas nas portas de seus cinemas, eis que os mesmos perceberam que as pessoas estavam dobrando as esquinas para comprar ingressos para assistir ao primeiro filme da franquia, eis que surge o termo “Blockbuster”.

 

 Star Wars é um marco para o cinema como um todo, George Lucas misturou de tudo um pouco aqui, desde faroeste, cultura Japonesa, ficção cientifica, aventura, romance, comédia, drama, e muito da literatura Pulp da época, junto com todos os gêneros, Lucas seguiu um modelo de roteiro que ninguém nunca antes havia usado no cinema, o monólito, mais conhecido como a jornada do herói, Lucas pegou seu personagem principal: Luke Skywalker e o colocou em uma Jornada que vem sendo usada até hoje pela maioria dos filmes que vemos, a mesma estrutura se repete em várias sagas de sucesso como Harry Potter, Senhor Dos Anéis, De Volta Para O Futuro, e muitas outras obras.

 

 A Jornada do Herói se divide em 12 partes, a primeira é a consciência limitada de um problema, ou seja o personagem está em um mundo comum, vivendo uma vida pacata sem muitos problemas a se pensar, a segunda é o chamado a aventura, o personagem recebe uma carta, convite, Droid com mensagem escondida ou vários outros subterfúgios, para ser convocado a aventura e assim virar seu mundo de cabeça para baixo, a terceira, é o recuso do chamado, o herói se nega a participar da aventura, e prefere manter sua vida sem muitas surpresas e perigos, a quarta, é o encontro com o mentor, o personagem criara um laço com alguém mais velho, mais sábio e muito carismático que fara mudar de ideia e o fará aceitar tal aventura, assim fechamos o primeiro ato da estrutura narrativa do roteiro

 

O segundo ator traz a quinta regra, que é o comprometimento com a jornada, o personagem perdera algo importante, que o fara se revoltar e se aliar com a causa pela qual foi solicitado, na sexta, o personagem conhecera seus inimigos, e nós o público seremos impactados pois esse é o momento de trabalhar em seus antagonistas, a sétima, é a preparação para a grande mudança, o personagem se aproximara de seus inimigos e o perigo ficara cada vez maior, porém ele não será derrotada, o mesmo irá escapar e revidar com mais força em outra oportunidade, a oitava é a provação, o personagem precisa se questionar e provar para si mesmo que é digno daquela aventura, e que o mesmo não decepcionara todos que depositam sua confiança nele, o final do segundo ato, traz a nona emenda que é a recompensa, o personagem se transforma em um Guerreiro, Jedi, Hobbit ou Bruxo que saiba dominar suas habilidades, e assim se considera pronto para enfrentar seu inimigo.

 

 O terceiro ato começa com a décima emenda que é o caminho de volta para casa, o personagem será envolvido em um conflito que o colocara em uma situação mortal, porém o mesmo vai conseguir enfrentar tal situação e assim o mal será derrotado, mas não destruído, o décimo primeiro ato é a ressureição o personagem irá aprender com seus erros, se tornar mais forte e só assim estará pronto para enfrentar novos perigos, o final da jornada do herói, termina com o personagem dominando todo conhecimento, força e sabedoria encerrando assim seu arco.

 

 George Lucas encaixou os 12 atos perfeitamente em sua obra, e isso transformou o filme em sucesso estrondoso, mas a genialidade de Lucas não terminou por ai , junto com planos maravilhosos e uma fotografia memorável, o diretor apostou na maquiagem, já que na época não existiam computadores tão potentes para se criar criaturas digitais, Lucas decidiu criar sua própria empresa de efeitos visuais, a Light & Magic foi uma divisão da empresa criada por George Lucas, a Lucasfilm, com isso, o diretor juntou efeitos práticos, como miniaturas, bonecos feitos a mão, e naves, e cenários pintados completamente a mão para dar uma sensação extremamente realista ao filme.

 

 Após muito dos obstáculos já concluídos, Lucas precisava do casting perfeito, o diretor nunca foi conhecido por ser paciente com seus atores, mas aqui era tudo ou nada, e Lucas precisava que seu filme desse certo, nisso ele trouxe o iniciante, Mark Hamill como protagonista, Hammil viveria Luke Skywalker e seria o par romântico de Leia vivida pela querida e talentosíssima Carrie Fisher, no final, Lucas precisava de um ator que tivesse pouco nome na indústria pois queria catapultar um ator para o estrelato, eis que surge ninguém mais ninguém menos que Harrison Ford, a trinca principal de atores estava formada, Lucas também precisava de um ator com nome para chamar o público, e decidiu ir atrás do veterano e ganhador do Oscar Alec Guinness, porém o ator recusou o papel, e disse na frente de George Lucas que “aquela porcaria nunca daria certo” a insistência do diretor foi tanta, que Alec aceitou o papel, e eis que temos nosso Obi-Wan.

 

 Lucas parece ter acertado a mão no elemento mais importante de sua história, seus personagens, Mark Hamill trazia um Jovem Luke Skywalker, que nunca conhecera nada além das áreas de trabalho rural em seu planeta natal, Luke era curioso, destemido, e sonhava em sair de Tattooine o mais rápido possível, Hamill, transmite todo o peso para o personagem, nos olhos, falas, e todos outros aspectos do personagem. Harrison Ford que vivera Han Solo, um personagem malandro, sabichão, que vivia metendo a si e todos outros ao seu redor em confusão foi uma das melhores escolhas de Lucas para o filme, Ford conseguiu criar um personagem tão carismático, engraçado, atraente, charmoso e sexy, que com 5 minutos de tela estamos completamente apaixonados pelo personagem. Carrie Fisher, trazia consigo, toda sua bagagem de vida, a atriz era uma das mais piradas e sabia viver a vida como ninguém, bebia, usava drogas, dormia com quem fosse, e todos acreditavam que ninguém conseguiria domar Carrie para uma vida mais regrada e comum, isso foi um dos principais combustíveis para a Princesa Leia ser criada, uma personagem guerreira, que não obedecia a ordens de ninguém e fazia tudo a sua maneira, Leia nunca precisou de fato ser resgatada, pois víamos no olhar da personagem que por mais difícil que estivesse sua situação a mesma daria um jeito de fugir da mesma, a primeira personagem forte e feminista do cinema Blockbuster acabara de ser criada, bem ali, em frente aos nossos olhos. Alec Guineness, trazia um Obi-Wan sábio, pacato, porém quem trazia uma bagagem de conhecimentos interessantes, o personagem que contava contos, lendas e expandia uma mitologia que deixava o espectador na ponta da cadeira com sua atenção presa a tela, foi um dos combustíveis mais sábios da mente de George Lucas. Como Lucas precisava vender bonecos para promover seu filme, ele criou 3 personagens para acompanhar os heróis dentre eles, Chewbacca, parceiro de Han Solo interpretado por Peter Mayhew o Wookiee que mais lembrava o cachorro de Han Solo era leal, engraçado, medroso, destemido, perigoso e carinhoso, Junto com Chewie vieram os droides, R2-D2 interpretado por Kenny Baker e C-3PO interpretado por Anthony Daniels, a dupla de dróides eram o alivio cômico perfeito, enquanto R2 era destemido, e não ligava muito para as ordens de C-3PO o mesmo era devoto a sua missão e qualquer outra tarefa que lhe era dado, enquanto C-3PO era tagarela mandão, inteligente, e desastrado, a química dos personagens criaram a dupla robótica mais icônica do cinema. Mas um bom filme de aventura que se preze tem seu vilão Lucas queria um visual marcante para seu vilão então decidiu se inspirar na cultura dos samurais, para criar sua arma, e suas roupas, eis que na primeira cena temos a introdução de algo que parece ser um robô, com capa preta, pernas, peitoral, e braços negros, com um capacete negro e uma espécie de computador no peito, porém o personagem não pode ser um robô, afinal a respiração icônica nos dá a entender que aquilo era um humano, aquele era simplesmente Darth Vader, que veio a se tornar o maior vilão da história do cinema, Vader era imponente, poderoso, assustador, e nos prendia nas cadeiras com uma simples demonstração da força que o personagem carregava enforcando seus próprios aliados sem nem ao menos encostar neles, George Lucas havia os personagens mais perfeitos da história do cinema.

 

 Com a finalização Lucas precisava de um compositor para representar tudo que ele queria dizer em tela, em uma conversa com seu amigo Steven Spielberg, Spielberg decidiu indicar o iniciante que tinha feito a trilha sonora para um de seus filmes mais famosos, Tubarão, eis que George Lucas traz John Williams para compor a trilha de seu filme, e o resultado é a trilha mais famosa de todos os tempos, em qualquer local que estivermos, e escutarmos as 4 primeiras batidas da abertura de Star Wars, iremos reconhecer e cantarolar a música junto e assim vamos seguindo se deixar.

 

 Star Wars foi um marco para o cinema, uma revolução sem precedentes, quebrou recordes de público, bilheteria, e George Lucas imediatamente foi considerado um gênio do Cinema, como o diretor havia vendido apenas o primeiro filme para o estúdio que não botava fé em seu projeto, as sequencias que vinham a ser escritas ficaram sobre seu domínio e viraram parte fundamental de sua empresa a Lucasfilm.

 

Star Wars é a prova que com perseverança força de vontade, garra e suor e principalmente paixão, nossos sonhos se tornaram realidades, e nossas escolhas refletiram nas pessoas, positivamente ou negativamente, Lucas criou uma Legião de fãs apaixonados pela Obra que muitas das vezes, em seus momentos mais tristes, se identificaram e sonharam junto com Luke Skywalker, foram guerreiros como a Princesa Leia, e lutaram até o fim Como Han Solo. Obrigado por criar uma das obras mais importantes para nós que dependemos de ícones para escapar da mais dura realidade, Obrigado, George Lucas.

 

Nota: 10

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