Crítica: Loving Vincent | Especial Oscar 2018

Animação explora a vida e morte de Vincent Van Gogh emocionando espectador.

 Loving Vincent retrata os últimos dias do aclamado pintor Vincent van Gogh, trazendo uma narrativa bem parecida com os contos de Agatha Christie. Escrito e dirigido pela dupla Dorota Kobiela e Hugh Welchman, o longa trás um estilo inovador na arte da animação. Van Gogh ficou conhecido por suas pinturas realistas e impressionistas, em Loving Vincent toda animação é feita inspirada nas obras de Van Gogh, todo o cenário reflete os sentimentos que o artista queria trazer com suas obras, e com um trabalho de animação excepcional pode ser considerado uma revolução na técnica de animação, já que todo o processo foi feito a mão com tinta a óleo.

 O roteiro de Dorota e Hugh é melancólico e triste, porém não cria um sentimento pesado ao ver o filme devido a seus cenários e chuva de referências a obra do pintor. Toda a história é contada do ponto de vista de Armand Roulin (Douglas Booth) filho do carteiro (na qual serviu de modelo na vida real para Van Gogh) e com isso percebemos que a proposta da animação é dar vida as obras do pintor, por isso em muitos momentos (para os fãs do artista) vemos pessoas que serviram de modelos para o pintor, mesmo no fundo de seu cenário, trás uma sessão de ligação direta entre obra, filme e figura.

 O toque de ouro aqui são os personagens, todos como já citado acima são pessoas que conviveram com Van Gogh, e cada um trás um ponto de vista sobre essa figura, enquanto alguns o consideram louco e completamente indecente, outros o descrevem como gentil, dócil e um pouco perturbado. Essa mistura traz uma aura mística ao personagem, que aparece em pontos chaves do filme. Nenhum personagem está de sobra aqui, cada um acrescenta um ponto de vista que move a trama e incentiva seu espectador a ficar curioso com o próximo personagem a ser apresentado.

 O elenco aqui é sensacional, Douglas Booth que interpreta Armand consegue muito bem mostrar a imagem de um homem viciado no álcool que ao mesmo tempo se envolve em uma história que não o interessa, enquanto Robert Gulaczyk (Van Gogh) é o ponto chave, o ator não tem muito tempo em tela, porém intriga o espectador em cada cena que aparece, a força de sua atuação traz um Van Gogh perturbado, depressivo e com um espirito que transmite alegria e tristeza a seu espectador, porém isso é um dos méritos do roteiro, que junto com a atuação e liberdade dadas ao ator constroem um personagem completamente complexo e cheio de camadas e mistérios.

 A trilha sonora do novato Clint Mansell faz uma homenagem a cada obra do pintor, desde a pequena casa amarela, ao céu estrelado de Van Gogh o compositor mistura a melancolia de seu personagem com suas clássicas e belas obras de arte, e por incrível que pareça é uma trilha que funciona por si só, observando as obras de Van Gogh e escutando a trilhas compostas para suas obras temos uma imersão surreal que nos melancoliza e nos faz entender o real significado daquela obra.

Loving Vincent é um dos melhores trabalhos já feitos na história do cinema, e merece toda atenção do público, é um filme denso, melancólico, biográfico, investigativo e perfeito!

Nota: 10

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